O que faz um estilo de liderança ser autêntico?
Quando o Tom Curtis (Presidente do Burger King) e o Joshua Kobza (CEO da RBI) me perguntaram sobre as bases da minha gestão durante uma visita ao meu restaurante no Burger King, não recorri a manuais ou teorias corporativas. Lembrei-me imediatamente da minha resposta e da minha trajetória no Brasil, no tempo em que atuava no jornalismo.
Naquela época, uma das minhas maiores paixões era usar o meu espaço para dar visibilidade a talentos que viviam no anonimato. Lembro-me claramente de três adolescentes brilhantes: a Carol Matos, a Francine Silveira e o Marcos Soares (que na época, com 18 anos, já era o vocalista da banda Umbigo de Baleia). A Carol, com apenas 14 anos, alegrava o final do nosso programa na academia com seu violão e voz maravilhosa, interpretando com maestria nomes da MPB como Cássia Eller e Marisa Monte. A Francine, com apenas 15 anos, nos fascinava interpretando a Ana Carolina e Adriana Calcanhotto de forma impressionante.
Eles tinham um talento fora do comum, mas faltava-lhes a vitrine. Embora o Marcos já se destacasse na banda, eu acreditava que seu talento precioso precisava ser ainda mais reconhecido.

Um dia decidi reunir os três com uma ideia fixa: criar formas de divulgá-los. Consegui oportunidades para que eles se apresentassem em bares badalados da época. O resultado foi muito além do reconhecimento do público. Ver aquele movimento acontecer estimulou a autoconfiança de cada um deles para acreditarem em si mesmos e seguirem seus sonhos.
“Foi uma época muito enriquecedora pra mim! O teu apoio, as portas que se abriram, os locais em que nos apresentamos elevaram o nosso patamar. Tivemos visibilidade, fomos artistas importantes no meio. Que lindo lembrar!” confessou-me a Carol outro dia. Além de cantar e encantar a todos com as suas próprias canções, a Carol tem se destacado no sul como Corretora de Imóveis.
A Francine, hoje conhecida como Fran Silveira, seguiu para Florianópolis e continua com sua paixão pela música. “O apoio e a presença da Claudete Matos não só me proporcionaram conhecer uma grande amiga, mas alimentaram meus sonhos de criança. Desde as reuniões e saraus com outros artistas até o projeto de unir a Carol, o Marcos e eu.”
O Marcos Soares seguiu o caminho da medicina e hoje atua como otorrinolaringologista no Mato Grosso do Sul. Ironicamente — ou não —, ele escolheu uma especialidade dedicada a cuidar justamente da audição e da voz, sem jamais deixar de lado sua paixão pela música. Ver o caminho que ele, a Carol e a Fran trilharam me provou que a busca pela própria voz e o despertar da autoconfiança deixam marcas para a vida toda.
Anos mais tarde, quando me mudei para os Estados Unidos e assumi o desafio de desenvolver líderes no Burger King, percebi que a minha essência continuava exatamente a mesma. Eu apenas mudei de palco. O olhar atencioso que eu usava no jornalismo para identificar um artista talentoso no anonimato é exatamente o mesmo olhar empático que uso hoje para enxergar o potencial oculto da minha equipe.
Muitas vezes, os jovens profissionais que lidero chegam desacreditados ou sem a autoconfiança necessária. O meu papel como líder não é criar o talento deles do zero — o talento e a capacidade já estão lá. Minha missão é dar a oportunidade, colocá-los no “palco” certo e oferecer o apoio necessário para que percam o medo de assumir o protagonismo da própria história.
Quando oferecemos o espaço correto e acreditamos genuinamente em quem trabalha conosco, a autoconfiança se destrava. E é aí que a transformação acontece: formamos grandes líderes, transformamos vidas e impactamos positivamente o mundo ao nosso redor.
Para mim, a oportunidade de falar sobre o meu estilo de liderança com dois grandes mestres da liderança internacional foi um privilégio, mas a maior recompensa, assim como na época dos três adolescentes, é o reconhecimento e a gratidão de cada um que se sentiu beneficiado com o meu suporte.
Na vida, podemos nos deparar com palcos vazios e plateias caladas, mas quando juntamos dedicação e amor pelo que fazemos, somos capazes de acender a luz na vida de alguém. E não há aplauso no mundo que supere a satisfação de ver um novo talento brilhar.








