A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Araranguá, informou nesta semana que o Poder Judiciário da Comarca de Araranguá deferiu medidas protetivas de urgência em favor de uma criança de 10 anos, com base na Lei Henry Borel.
As medidas foram solicitadas após representação da autoridade policial e incluem, entre outras providências, o afastamento do investigado da residência e a proibição de qualquer forma de contato com a criança. O homem é investigado por suspeita de violência sexual contra a vítima.
De acordo com a Polícia Civil, o caso chegou ao conhecimento da DPCAMI após a realização de escuta especializada no ambiente escolar. Em um contexto de acolhimento e confiança, a criança relatou fatos compatíveis com violência sexual e também produziu desenhos que, em tese, reforçam os indícios de abuso.
A partir dessas informações, a equipe da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Araranguá iniciou diligências imediatas e colheu depoimentos preliminares que apontaram a necessidade urgente de intervenção para proteção da vítima.
Durante a apuração inicial, também foi constatado que a criança costumava dormir, há vários anos, na mesma cama do familiar investigado, identificado como avô — circunstância que reforçou a necessidade de adoção de medidas protetivas.
As investigações seguem em sigilo, com a realização de novas diligências para o completo esclarecimento dos fatos, respeitando a proteção integral da vítima e o devido processo legal.
Casos preocupam em Araranguá
Segundo dados divulgados pela Polícia Civil de Santa Catarina, investigações envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes ocorrem com frequência, embora nem sempre sejam divulgadas.
Em todo o ano de 2025, Araranguá registrou 10 casos de estupro de vulnerável. Já em 2026, até o momento, o município soma 12 casos.
Ainda conforme os dados:
- 52% das vítimas têm menos de 12 anos;
- 92% dos casos ocorreram dentro do ambiente residencial.
Os números reforçam uma realidade alarmante: na maioria dos casos, a violência ocorre dentro de casa e é praticada por pessoas próximas ou de confiança da vítima.
Sinais de alerta
A Polícia Civil reforça que a denúncia é uma das principais ferramentas para interromper ciclos de violência contra crianças e adolescentes.
Mudanças repentinas de comportamento, medo excessivo de determinada pessoa, alterações no sono, regressão comportamental, isolamento, sexualização precoce e relatos espontâneos são sinais de alerta que exigem atenção imediata.
A orientação é que pais, responsáveis, familiares e profissionais da rede de proteção acolham a fala da criança com seriedade, sem julgamentos ou intimidações.
Diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar imediatamente a Polícia Civil de Santa Catarina, o Conselho Tutelar ou utilizar canais oficiais de denúncia, permitindo a adoção rápida das medidas necessárias para proteger a vítima.










