Claudete MatosO Silêncio que Abre Caminhos

O Silêncio que Abre Caminhos

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Mas o que vem depois da curva? Você já parou para observar uma foto ou imagem de uma estrada ou rodovia sinuosa, perguntando-se o que vem a seguir?

Quando menina, eu tinha uma paixão por esse tipo de imagem, pois sempre me aguçava a curiosidade imaginar o que vinha depois. Hoje, quando dirijo por estradas que não conheço, fico alerta observando a curva. Às vezes não há nada de anormal, mas outras vezes me deparo com uma vista espetacular.

Nem sempre encontraremos um caminho bonito pela frente e nem sempre teremos paisagens estonteantes. Algumas vezes, o caminho pode parecer sinistro ou sem nenhum atrativo. A pergunta que paira é: devo seguir ou mudar de rota? E se bater a vontade de não fazer nenhuma das duas?

Com o ator Thiago Lacerda (1999), durante o Baile de Debutantes no Grêmio Fronteira. Naquele tempo, a novela Terra Nostra invadia nossos lares levando a história e a cultura italiana para milhões de brasileiros. Thiago brilhava como um dos protagonistas, o inesquecível e encantador Matteo.

Sentir-se estagnado não quer dizer que você perdeu a motivação ou o rumo. Eu, particularmente, me sentia assim: estagnada diante da tela do meu laptop e sem inspiração alguma para a crônica de agora. Precisei lembrar-me do que escrevi anteriormente: “onde há uma vontade, há um caminho”.

Mas e nos dias em que a vontade decide tirar férias? E quando o caminho parece coberto por uma neblina espessa que nem o café mais forte consegue dissipar?

São em momentos assim que precisamos lembrar que uma mente cheia não consegue estar atenta. Ao lembrar da prática de Mindfulness, dou-me conta de que é preciso sair de cena para, então, dar espaço ao meu verdadeiro eu, sem pressa e sem atropelos.

Ian Tuhovsky nos lembra em seu livro que é preciso “desenvolver a chamada ‘Consciência Livre de Julgamentos’ para vencer o desânimo e os pensamentos negativos, manter-se fiel à prática e continuar tornando-se uma pessoa mais focada, calma, disciplinada e pacífica no dia a dia”.

Aceitar que não somos perfeitos é o passo fundamental para abrir caminhos que parecem incertos. Permanecer diante da neblina pode parecer desencorajador, mas não quer dizer derrota. No meu caso, só precisei parar, sentir a minha respiração e voltar num momento em que me sentia livre, sem agendas corridas e sem pensar no amanhã.

A neblina que cobria o meu laptop hoje não era um bloqueio, era um convite. Ao aceitar o vazio e respirar sem pressa, a curva finalmente se revelou. E o que encontrei depois dela? Não foi uma paisagem externa, mas a paz interna de saber que minha vontade não morreu; ela apenas precisava de silêncio para voltar a gritar. Agora, a estrada está limpa. E eu sigo, curiosa como aquela menina, para ver qual será a próxima vista espetacular que a vida reservou para mim.

E você? O que crê que vem depois da curva?

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