A Câmara de Vereadores de Balneário Gaivota ficou completamente lotada na noite de quarta-feira (10) para a audiência pública que debateu a proposta de criação de duas Unidades de Conservação no município. O encontro reuniu autoridades, empresários, corretores de imóveis, lideranças comunitárias, representantes de entidades e moradores.
Ao final da reunião, a população manifestou-se de forma unânime contra a proposta, que prevê restrições sobre uma área próxima de mil hectares.
Segundo os participantes, a medida pode comprometer o desenvolvimento econômico, o crescimento urbano e a segurança jurídica de famílias e empreendimentos instalados na cidade.
Ausência do Ministério Público chama atenção
Entre os assuntos comentados durante o encontro esteve a ausência do Procurador da República em Criciúma, Demerval Ribeiro Vianna Filho, representante do Ministério Público Federal no processo que discute a criação das unidades.
A mesa dos trabalhos foi composta pelo prefeito Everaldo dos Santos (Kekinha), vice-prefeito Jonatã Coelho, presidente da Câmara Jaison Leal Pereira, procurador-geral do Município José Fernando Borges, procuradora da Câmara Dra. Natane Clemes Costamilan, secretário de Meio Ambiente Tiago Madrid e pelo professor doutor Sérgio Luciano Galatto, representante da Unesc.
Estudos foram apresentados
Durante a audiência, o professor Sérgio Galatto apresentou os estudos técnicos realizados pela Unesc ao longo dos últimos anos.
Diversos participantes destacaram que o levantamento desenvolvido pela universidade buscou apontar alternativas para conciliar preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Contudo, houve críticas à proposta posteriormente apresentada no âmbito do processo judicial.
Empresariado manifesta preocupação
Um dos pronunciamentos mais enfáticos foi do empresário Lahyre João Stein Escobar.
Ele afirmou que Balneário Gaivota já possui um dos maiores patrimônios ambientais preservados do litoral catarinense, citando as dunas, lagoas e passarelas existentes no município.
Segundo Lahyre, a implantação das unidades poderia afetar diretamente a economia local.
“Hoje nós somos a Capital das Passarelas. Você pode sair de Porto Alegre e ir até São Paulo que não encontra um lugar com tanta preservação quanto Balneário Gaivota. Temos dunas preservadas, lagoas e um patrimônio natural que já está protegido. Isso pode gerar desemprego e prejudicar o futuro da cidade”, afirmou.
“Hoje não existe partido”, diz advogado
Representando proprietários e moradores, o advogado Josias Porto da Rosa destacou que a mobilização ultrapassou questões partidárias.
Em seu discurso, afirmou que o momento era de união em defesa do município.
“Hoje aqui não existe partido político. Hoje nós vestimos a camisa de Balneário Gaivota. Estamos aqui para resolver um problema que afeta toda a cidade”, declarou.
Josias também criticou a proposta apresentada no processo judicial e afirmou que a população pretende continuar mobilizada.
“Se for preciso, vamos à Justiça Federal, vamos fazer abaixo-assinados e utilizar todos os meios legais possíveis. Não vamos desistir de Balneário Gaivota”, afirmou.
Empresários defendem preservação, mas rejeitam proposta
O empresário Ramon Costamilan também se manifestou durante a audiência.
Ele destacou que o setor empresarial não é contrário à preservação ambiental, mas entende que a proposta apresentada não atende aos interesses do município.
Segundo Ramon, os empresários reconhecem a importância dos estudos técnicos realizados pela Unesc e consideram que a proposta posteriormente inserida no processo acabou desconsiderando parte significativa do trabalho desenvolvido.
“O empresariado quer preservar o meio ambiente, mas rejeita essa proposta de forma veemente e não aceitará sua implantação nos moldes apresentados”, afirmou.
Prefeito fala em prejuízo milionário
Durante sua manifestação, o prefeito Everaldo dos Santos, o Kekinha, afirmou que a proposta poderá gerar um impacto financeiro superior a R$ 500 milhões em indenizações a proprietários atingidos.
Segundo ele, o município não teria condições de arcar com esse custo sem comprometer investimentos essenciais.
O prefeito também destacou obras consideradas estratégicas para o desenvolvimento local, como a Rodovia Caminhos do Mar e o projeto do segundo acesso ao município.
“Gaivota não pode parar. Esse processo se arrasta desde 2009. Desde que assumimos, investimos na preservação ambiental real. Hoje temos mais de mil hectares preservados, incluindo o Parque da Lagoa Cortada. Vamos continuar unidos para defender nossa cidade”, afirmou.
Votação encerra audiência
Após os debates, o procurador-geral do Município, José Fernando Borges, conduziu a manifestação final dos presentes.
Ao solicitar que os participantes se posicionassem sobre a proposta, não houve registro de votos favoráveis.
A rejeição foi unânime.
“Quem aprova a proposta? Quem rejeita a proposta? Rejeitada. Unânime”, registrou o procurador, sob aplausos do público.
Mobilização histórica
A grande participação popular foi considerada um dos principais marcos da audiência pública.
Moradores, empresários, trabalhadores, representantes de entidades e lideranças políticas demonstraram unidade em torno de um tema considerado decisivo para o futuro de Balneário Gaivota.
Para muitos participantes, a noite representou uma das maiores mobilizações populares já registradas no município em defesa do desenvolvimento local e do direito da comunidade de participar das decisões que impactam diretamente seu futuro.










