PolíticaRolando Christian Coelho | Bancada catarinense começará dividida em 2027

Rolando Christian Coelho | Bancada catarinense começará dividida em 2027

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Dos 16 deputados federais eleitos por Santa Catarina, oito são contrários à reeleição de Hugo Motta (REP) à presidência da Câmara, sete deverão apoiá-lo e um ainda não definiu o voto. A disputa ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027, mas a divisão catarinense já está estabelecida nas articulações partidárias. A dúvida não está propriamente no que os deputados dizem hoje, mas no que farão quando a direção nacional de seus partidos começar a distribuir os espaços de poder.

Os sete eleitos pelo PL, que são Júlia Zanatta, Jair Renan Bolsonaro, Sargento Lima, Daniela Reinehr, Zé Trovão, Ricardo Guidi e Daniel Freitas, rejeitam um novo mandato de Motta e defendem candidatura própria. Zé Trovão chegou a anunciar que poderá apresentar seu nome se o partido não lançar candidato. Gilson Marques (Novo) completa o grupo dos oito contrários. O partido anunciou que terá candidato próprio e não apoiará Motta.

No campo favorável a Hugo Motta estão Pedro Uczai e Ana Paula Lima, do PT, Giovana Mondardo (PCdoB), Júlio Garcia (PSD), Geovania de Sá (REP), José Milton Scheffer (PP) e Ana Paula da Silva, a Paulinha (Podemos). Os sete deverão seguir a orientação de suas legendas. Rafael Pezenti (MDB) permanece como a única incógnita. O MDB apoia Motta, mas o deputado busca manter identificação com o eleitorado bolsonarista. Terá de decidir qual compromisso pesará mais no momento do voto.

A situação do PL nacional explica por que as posições catarinenses ainda podem mudar. Valdemar da Costa Neto reuniu deputados favoráveis a um acordo com Motta e marcou para 11 de novembro uma discussão com a bancada. Parte do partido quer candidatura própria, enquanto outra defende participação na composição que comandará a Câmara. Nikolas Ferreira (PL-MG) propôs os nomes de Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A questão envolve menos a escolha de um nome do que o espaço político que cada caminho permitirá ocupar.

Hugo Motta já recebeu apoio de 15 partidos, que reúnem 361 deputados eleitos. O bloco inclui o PT do presidente Lula da Silva (PT) e legendas como PSD, MDB, União Brasil, PP e Republicanos. O PL, com 121 deputados, é a maior bancada individual da próxima legislatura. Se decidir negociar com Motta, encontrará resistência entre os catarinenses; se lançar candidato próprio, terá de discutir o acesso às comissões e aos cargos da Casa. É a velha conta de Brasília: quem quer marcar posição também precisa decidir quanto está disposto a pagar por ela, isto porque quem perde uma disputa direta pela presidência da Câmara dos Deputados perde praticamente tudo na distribuição de cargos da Casa. Quem faz parte de acordos com o vencedor, mesmo não ocupando a presidência, acaba ocupando cargos bastante relevantes em todas as esferas, especialmente nas comissões.

A reunião de 11 de novembro visa esclarecer a orientação nacional do PL, não necessariamente o voto de cada deputado. Em Santa Catarina, o quadro permanece dividido entre oito contrários, sete favoráveis e um indefinido. A eleição secreta, em fevereiro, mostrará se as posições anunciadas resistiram às negociações. É muito provável os deputados Júlia Zanatta, Jair Renan Bolsonaro, Sargento Lima, Daniela Reinehr e Zé Trovão, se posicionem contrários a um acordo com Hugo Motta, e que Daniel Freitas e Ricardo Guidi se posicionem a favor.

Finais

  • André Janones (Rede-MG), chamado de general do Exército de Lula, viu sua votação despencar 67% em Minas Gerais. Segundo deputado federal mais votado do estado em 2022, com QUASE 240 mil votos, recebeu apenas 79 mil em 2026. Em Ituiutaba, sua cidade natal, a queda chegou a 72%. Janones atribuiu o resultado à pouca campanha própria, alegando ter priorizado a reeleição do presidente Lula da Silva (PT). O parlamentar também acumulou controvérsias: teve o mandato suspenso por três meses em 2025, admitiu irregularidades envolvendo rachadinha e responde a uma ação por injúria. Apesar da perda expressiva de votos, conseguiu renovar seu mandato na Câmara dos Deputados.
  • O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), vai analisar a validade do voto de Flávio Bolsonaro (PL) na PEC da Segurança Pública. Derrotado por Lula na eleição presidencial, Flávio deixou o Brasil e está nos Estados Unidos, mas registrou presença e votou remotamente na sessão de terça-feira. Randolfe Rodrigues (PT) pediu a anulação do voto e esclarecimentos sobre a comunicação oficial da viagem. Alcolumbre também criticou os ataques às urnas eletrônicas, lembrando que o PL comemorou os resultados do primeiro turno, mas passou a questionar o sistema após a derrota presidencial. O episódio amplia o confronto político no Senado.
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