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Rolando Christian Coelho | Filme de Bolsonaro pode ter recebido recursos de desvios

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O Supremo Tribunal Federal está apurando repasses na ordem de R$ 4,6 milhões em emendas parlamentares de deputados federais bolsonaristas para entidades administradas pela produtora cultural Karina Ferreira da Gama, que é a responsável pela empresa que está produzindo o filme Dark Horse, uma cinebiografia que conta a história de vida, e de quase morte, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os recursos federais foram destinados a empresas ligadas a Karina para aplicação em programas ligados à cultura, esporte e empreendedorismo. Há a desconfiança de que parte destes recursos tenham sido realocados para investimento na produção do filme sobre Bolsonaro.

O caso passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 854, que visa investigar, justamente, emendas cujos destinos finais não seriam necessariamente aqueles para os quais elas foram propostas.

Vários deputados federais filiados ao PL fizeram a destinação de valores consideráveis para projetos desenvolvidos por Karina da Gama, que, por coincidência, ou não, está trabalhando diretamente na produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

Se o Supremo conseguir provar que há uma ligação entre a destinação de emendas parlamentares e a execução do filme, os deputados arrolados poderão sofrer processo de cassação por desvio de finalidade de recursos públicos. Já no plano político, cairiam por terra os argumentos do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), dando conta de que os recursos que estariam financiando o filme sobre seu pai têm origem totalmente ligada à iniciativa privada. Se a suspeita do STF se confirmar, parte dos recursos do filme seriam públicos.

Vale lembrar que Flávio Bolsonaro já está se vendo às avessas para explicar uma ligação supostamente incestuosa com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que, por sua vez, nos últimos três anos distribuiu em Brasília mais dinheiro que Silvio Santos em 70 anos de profissão.

O fato é que o tal filme sobre Jair Bolsonaro está dando uma dor de cabeça e tanto para os caciques bolsonaristas, que a esta altura do campeonato já devem estar arrependidos até os últimos fios de cabelo de o terem idealizado. Tudo isto porque o fizeram sem know-how, sem conhecimento de causa, meramente impulsionados por um propósito. Se tivessem aderido à Lei Rouanet, o filme já estaria pronto, com todas as propinas pagas e ainda sobraria algum para ajudar a bancar a campanha eleitoral deste ano.

Finais

  • Ex-deputado federal Edinho Bez (MDB) está mantendo contatos com líderes de seu partido em nossa região para tentar garimpar apoio para a candidatura de sua filha, a advogada tubaronense Leatrice Bez, à Assembleia Legislativa. Com um perfil ideológico bastante sintonizado com a linha bolsonarista, Lea acaba sendo um diferencial dentro do MDB sulista, que sempre esteve mais ligado à esquerda, muito por conta da influência do ex-governador Eduardo Pinho Moreira. O próprio Edinho busca não entrar nesta demanda, por ter sido sempre um político de centro. Sua filha, no entanto, não faz nenhuma objeção em se sintonizar com o pensamento bolsonarista, ao contrário do deputado estadual Tiago Zilli (MDB), por exemplo.
  • Governador Jorginho Mello pisou na bola ao filiar o prefeito de Jaraguá do Sul, Jair Franzner, ao PL. Franzner foi vice do então prefeito e atual deputado estadual Antidio Lunelli (MDB). Os dois, no entanto, romperam feio politicamente, ao ponto de nem se cumprimentarem mais. Depois disto, Antidio se aliou ao governador, e faz parte da ala emedebista que hipoteca apoio ao seu projeto de reeleição. Ele não contava, no entanto, que Jorginho iria se aproximar homericamente de Jair Franzner, ao ponto de filiá-lo ao PL, e o trazer para dentro da campanha estadual. Como resultado desta articulação mal calculada, é possível, até mesmo, que o governador perca o apoio de Antidio Lunelli, que, além de ser um dos caciques do MDB catarinense, é um dos maiores empresários do Estado.
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