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Rolando Christian Coelho | Fugir de debates é uma faca de dois gumes

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A ausência do governador Jorginho Mello (PL) em debates eleitorais começa a se transformar, por si só, em um dos assuntos da campanha ao Governo de Santa Catarina. Ontem, o governador não participou do debate promovido pela Acaert. A justificativa apresentada foi a necessidade de reassumir as funções de governador diante das fortes chuvas que atingiram o Estado. Não foi, porém, a primeira ausência. Jorginho também ficou fora de outros encontros entre os candidatos, enquanto sua campanha optou por uma participação seletiva nos debates. A pergunta que surge nos bastidores políticos é inevitável: por que um governador que busca a reeleição prefere limitar sua presença nesses confrontos? A explicação oficial passa pelas responsabilidades administrativas e pela escolha dos eventos dos quais participará. Existe, entretanto, uma questão estratégica que ajuda a compreender esse comportamento. Quem ocupa o governo e aparece à frente dos adversários nas pesquisas entra em um debate numa situação diferente daquela de quem precisa crescer. Para os concorrentes, o confronto é oportunidade de ganhar exposição, atacar a administração, provocar o favorito e tentar produzir um fato político capaz de modificar a dinâmica eleitoral. Para quem lidera, o benefício pode ser menor e o risco, maior. Uma resposta ruim, uma acusação inesperada ou poucos segundos de hesitação podem ganhar enorme repercussão nas redes sociais e dominar o noticiário. Sob essa ótica, diminuir a quantidade de confrontos pode funcionar como uma estratégia de administração de risco. Isso não significa afirmar que esta seja comprovadamente a razão das ausências de Jorginho, mas ajuda a compreender a lógica eleitoral de uma candidatura que procura controlar sua exposição. O governador possui ainda uma vantagem que seus adversários não têm: a própria administração estadual. Enquanto os concorrentes precisam dos debates para apresentar aquilo que pretendem fazer, quem busca a reeleição pode recorrer às obras, programas, entregas e números de quatro anos de governo para sustentar seu discurso. O desafiante precisa conquistar o palco; o governante já dispõe de uma vitrine permanente. A estratégia, porém, também cobra seu preço. Quando Jorginho não comparece, seus adversários ficam livres para discutir sua gestão sem que ele possa responder imediatamente. A cadeira vazia acaba se transformando em argumento eleitoral e o governador, mesmo ausente, continua sendo personagem central do debate. Surge então um cálculo conhecido nas campanhas: comparecer significa aceitar o risco do confronto direto; não comparecer reduz esse risco, mas oferece aos adversários espaço para construir críticas sem contraditório presencial. Enquanto estiver em posição confortável nas pesquisas, preservar a exposição pode parecer conveniente. O problema é descobrir até quando essa estratégia produzirá mais benefícios do que desgaste. Afinal, quanto menos Jorginho estiver nos debates, menos estará sujeito aos ataques e aos imprevistos do confronto. Mas, quanto mais sua cadeira permanecer vazia, mais seus adversários poderão perguntar, diante das câmeras e dos microfones, por que o governador não está ali para responder.

Finais

Os debates entre os candidatos ao Governo de Santa Catarina têm revelado uma curiosa sintonia entre João Rodrigues (PSD) e Gelson Merísio (PSB), apesar das diferenças políticas entre ambos. Quando o assunto é a administração estadual, os dois têm concentrado boa parte da artilharia no governador Jorginho Mello (PL). Saúde, educação, infraestrutura e gestão dos recursos públicos aparecem entre os temas usados para questionar o atual governo. No debate da ACAERT, realizado nesta terça-feira, a ausência de Jorginho também foi alvo de críticas. O comportamento mostra que João e Merísio, embora adversários entre si, compartilham neste momento um objetivo eleitoral evidente: confrontar a gestão do candidato à reeleição.

Na outra ponta aparece Ralf Zimmer (PRD). Enquanto João Rodrigues e Gelson Merísio convergem nas críticas ao governo, Ralf não tem se furtado a defender Jorginho Mello em diferentes momentos dos debates. Essa postura já chamou atenção desde o primeiro encontro promovido pela NDTV, quando análises da cobertura eleitoral registraram que o candidato do PRD assumiu, em determinadas discussões, a defesa da atual administração. A postura também provocou reação de João Rodrigues, que chegou a acusá-lo de atuar como aliado ou defensor do governador. Forma-se, assim, uma dinâmica peculiar: João e Merísio atacam a gestão por flancos distintos, enquanto Ralf frequentemente faz o contraponto às críticas dirigidas a Jorginho.

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