O Náufrago, filme protagonizado por Tom Hanks nos anos 2000, resume o dilema que quero compartilhar com vocês nesta semana. Baseado na história de Chuck Noland, o enredo conta a história de um homem que fica isolado em uma ilha após sofrer um acidente aéreo. Sozinho, encontra uma bola, nela pinta um rosto e chama de Wilson. Wilson passa a ser um companheiro com conversa, briga, ri e troca conselhos. Estão lembrados dessa história? Embora parecesse loucura, a interação foi estratégia de sobrevivência para ele. Afinal, o ser humano não sobrevive psiquicamente sem interlocutor. Quando não há um outro real, inventamos um. Isso significa que, sim, temos necessidade de conversar, comunicar, trocar ideias e percepções.
Entretanto, com o acesso a ferramentas interativas, a conversa com outros seres humanos passou a ser algo opcional para alguns de nós. Afinal, as tecnologias emergentes nos dão a possibilidade de criar o nosso Wilson. É o assistente no celular que completa o nosso pensamento, a IA que nos faz elogios, o chat que conversa às três da manhã sem cobrar nada em troca ou discordar. E, assim, vamos nos isolando uns dos outros, pois a interação com um humano é muito mais desafiadora e adversa do que aquilo que encontramos em plataformas generativas.
Contudo, é preciso ressaltar: não há teoria que indique esse isolamento entre humanos como uma forma saudável de viver. Pelo contrário. Tudo o que já foi estudado sobre as necessidades humanas até o momento indicam o quanto necessitamos uns dos outros para manter a nossa sanidade e a nossa humanidade. A tese defendida pelo filósofo Martin Buber confirma que só existimos plenamente quando nos dirigimos a um Tu, um outro que nos resiste, que tem vontade própria, que pode nos surpreender. Diante de um objeto, mesmo o mais sofisticado e tecnológico, nós permanecemos apenas como um Eu-Isso. Ou seja, usamos o objeto, consumimos, mas não somos transformados por ele. Essa relação de interação com objetos, pode ser enquadrada naquilo que a pesquisadora Sherry Turkle chamou isso de “juntos e sós”, rodeados de conexão, famintos de conversa. Trocamos a companhia humana, que exige disponibilidade, pelo objeto ou pela ferramenta tecnológica, que promete conforto.
A grande questão é que em nossas casas, empresas e sociedade, estamos gradativamente nos tornando um exército de vários “Eu” sem “Tu”. Isolados, evitando conflitos e desaprendendo a conversar. Como é o outro, ou seja o Tu que nos altera, ao evitar a interação com outros humanos, caminhamos para um isolamento que gera uma lacuna silenciosa em nossa formação pessoal. Falta-nos hoje uma educação para a disponibilidade que é ensinada na dinâmica das conversas entre as pessoas.
Quando nós terceirizamos para as telas a função de preencher a nossa necessidade de interação, excluímos uma experiência que nos humaniza e torna nossa convivência social e corporativa possível. Não aprendemos como exercer a disponibilidade, ouvir, ser contrariado, esperar em silêncio enquanto o outro fala. E isso acontece de forma tão gradual e silenciosa que não percebemos o quão nocivo tem sido excluir a conversa do nosso cotidiano.
Por isso, durante este mês de agosto, quero compartilhar com vocês algumas curiosidades e informações sobre a importância da conversa para nossa formação pessoal e profissional. Espero que vocês gostem e fiquem ainda mais atentos às oportunidades que as conversas podem trazer para seu crescimento nas diversas áreas da vida.







