Se você é empresário ou atua em cargo de liderança há mais de cinco anos, já deve ter percebido como a gestão de pessoas tem, gradativamente, demandado mais atenção para a sustentabilidade dos negócios. Alguns especialistas associam essa tendência a dois fatores principais: 1. O caixa das empresas: hoje existem indicadores que apontam os prejuízos financeiros quando o assunto é rotatividade dos trabalhadores; 2. A aposta das pessoas em novas formas de renda para além do trabalho formal.
Considerando o fator 1, estudos indicam que o turnover (rotatividade dos trabalhadores na empresa) custa entre 50 e 200% do salário anual do colaborador, a depender da função. Ainda que alto, o prejuízo não se restringe apenas ao caixa. Conforme explica Sylvestre Mergulhão, fundador da Impulso, empresa que associa tecnologia e gestão de pessoas: “A saída de um colaborador custa mais do que parece. Não é só financeiro, é a perda de conhecimento, ritmo e confiança do time. Quem permanece sente o impacto. E começa a questionar. Reter talento vai além de salário ou benefício. Depende de ambiente, propósito e liderança presente”. E, nesse aspecto, mais uma vez, observa-se que a empresa precisa dar atenção ao clima organizacional, à cultura e à formação de liderança conectada à realidade das novas relações de trabalho, emprego e renda.
Por um longo período, a liderança inspirada em estratégias militares, no esporte de alto rendimento ou em teorias complexas foi suficiente para gerar resultados satisfatórios. Porém, hoje, com perfis comportamentais tão diferentes entre os trabalhadores, acredito que o repertório de líderes precise de novas referências. É nesse viés que, mais uma vez, recorro ao livro Lidere como uma mãe, no qual Valerie Cockerell traz a maternidade como uma fonte de referência para lideranças.
No que se refere à gestão de pessoas, um dos pilares que Cockerell destaca é a habilidade maternal de nutrir o desenvolvimento de talentos nos filhos. Em casa, uma mãe observa atentamente as aptidões de cada criança, adequa a comunicação e incentiva-as a explorar seus pontos fortes. No mundo corporativo, um gestor de talentos de excelência faz o mesmo: mapeia as competências de sua equipe e cria um ambiente seguro para que o potencial de cada colaborador seja aplicado e gere resultados de acordo com a estratégia da empresa. Esse modo de valorizar as competências do trabalhador é poderoso, porém pouco utilizado. Especialmente se considerarmos que, em 2025, 74,3% das pessoas que pediram demissão associaram a motivação da saída ao subaproveitamento de suas habilidades.
Outros pontos sensíveis aos trabalhadores que pediram demissão em 2025 são divergências entre colegas e a falta de clareza de prioridades entre as lideranças. Por isso, a capacidade de administrar conflitos e priorizar tarefas para suprir entregas são competências fundamentais na liderança corporativa. Nesses quesitos, a maternidade também tem lições a trazer: uma mãe é acionada para resolver brigas entre os filhos e é muito hábil em ouvir os lados, ponderar interesses e atribuir consequências razoáveis aos comportamentos inadequados. Do mesmo modo, um líder precisa fazer gestão de conflitos, encarando conversas difíceis, gerando transparência e atribuindo responsabilidades.
E, por fim, ainda no que se refere à gestão de talentos, Cockerell salienta o que está acima de qualquer estratégia ou discurso: a força prática do exemplo. Ser um ótimo exemplo é uma das habilidades essenciais que os líderes devem aplicar em seus ambientes de trabalho. Mães sabem que os filhos aprendem muito mais observando suas atitudes do que apenas ouvindo seus conselhos. Na empresa, a cultura e o engajamento dos talentos são moldados diariamente pela postura ética e profissional da liderança.
Diante desse breve resgate sobre o que diz Valerie Cockerell, você concorda que a aplicação das melhores práticas das mães pode ajudar na gestão de talentos das empresas? Aguardo sua opinião nas minhas redes sociais. E, na semana que vem, trarei mais uma grande sabedoria das mães: lições sobre maternidade e gestão do tempo. Até lá!









