As eleições de 2026 deverão marcar o pior desempenho de toda a história política do Progressistas em Santa Catarina. Atualmente o partido conta com apenas um senador e três deputados estaduais. Pela primeira vez, em um mandato estadual, não tem nenhum deputado federal.
Em princípio, o melhor cenário vislumbrado para o Progressistas diz respeito a eleição de um deputado federal e de três deputados estaduais. A reeleição do senador Esperidião Amin já é descartada pela maior parte da cúpula do partido e há o temor, também, que a legenda eleja apenas dois deputados estaduais. Na prática, o planejamento do Progressistas prevê desde a eleição de apenas dois deputados estaduais no pleito deste ano, até, no máximo, a eleição de três estaduais e um federal, o que é menos do que se tem no atual mandato.
Mas por que o Progressistas, que através de outras denominações já chegou a ter o comando do Governo do Estado, assim como a maioria das cadeiras da Assembleia Legislativa, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, no que diz respeito a representatividade catarinense, chegou a este ponto? Fundamentalmente isto aconteceu por conta do fracionamento da direita. A primeira ruptura interna do Progressistas aconteceu já na eleição de 1986, depois que o ex-governador Jorge Bornhausen criou o PFL no Estado, subtraindo boa parte da base de seu partido, o então PDS.
A eleição de Vilson Kleinubing como governador do Estado, pelo PFL, em 1990, acelerou o processo de esvaziamento do Progressistas, que só voltaria ao comando do governo oito anos depois, com Esperidião Amin. Uma aliança entre o MDB e o PFL, no entanto, tirou o Progressistas definitivamente do governo a partir de 2002, para nunca mais voltar. A partir de então, o processo de deterioração da legenda só aumentou, sendo reforçada, neste cenário, por conta da criação de outras legendas, como o antigo PL e também o PSL, que fragmentaram ainda mais a direita, não só em Santa Catarina, mas em todo o país.
Este processo de mitigação foi reforçado pela presença napoleônica do senador Esperidião Amin no comando do partido. Sua determinação de manter-se como o líder maior do Progressistas, ao longo de quase meio século, acelerou o esvaziamento da sigla, que, provavelmente, após o pleito deste ano, acabe se transformando em apenas mais um partido para lá de coadjuvante no cenário político catarinense.
O atual cenário criado pelo partido no Estado é uma prova inconteste de que o fim está próximo. A cúpula do Progressistas está fragmentada, com parte de seus líderes apoiando a candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e outra parte apoiando João Rodrigues (PSD). Neste sentido, vê-se os dois principais líderes no partido no Estado cada qual em um palanque: Esperidião Amin com João Rodrigues e Leodegar Tiscoski com Jorginho Mello.
Por óbvio que a falta de unidade acaba sendo um péssimo exemplo para o que sobrou da base do partido, que, em não se sentido confiante no comando de sua sigla, acaba simplesmente cruzando os braços diante de cada eleição.
Finais
- O Instituto Verità divulgou pesquisa de intenção de votos, realizada em Santa Catarina, dando conta da disputa, tanto pelo Governo do Estado quanto pelo Senado Federal. A pesquisa ouviu 1.525 eleitores, acima de 16 anos, entre os dias 27 e 31 de maio, tendo margem de erro de 2.5% e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TRE sob o número SC-02471/2026 e foi divulgado no último sábado. De acordo com o Verità, Jorginho Mello (PL) tem 68,1% das intenções de votos, contra 15,5% de João Rodrigues (PSD) e 10,4% de Gelson Merísio (PSB). Neste cenário, o atual governador seria reeleito no primeiro turno.
- No que diz respeito a disputa pelo Senado, que tiveram os mesmos critérios técnicos já descritos, na soma dos dois votos, Carlos Bolsonaro (PL) aparece com 49,4% das intenções de voto, contra 46% de Carol de Toni (PL). De acordo com a Verità, eles seriam os dois senadores eleitos por Santa Catarina no pleito deste ano. Esperidião Amin (PP) figura com 22,7% e Décio Lima (PT) com 20,5%. Em princípio, pelos números da Verità, a eleição estadual deste ano em Santa Catarina será marcado por uma ampla vitória majoritária do PL, o que deverá se refletir também na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.










