Sem aula para as crianças, sem acesso ao trabalho, casa destelhada: assim foi a segunda-feira de boa parte dos trabalhadores na capital catarinense. E, embora lastimável, não podemos dizer que isso foi surpresa. Há meses, escutamos alertas sobre a alta probabilidade de eventos climáticos extremos. Uma nova realidade se impõe às organizações e deve ser pauta de gestão: considerar esses eventos climáticos como um fator de ameaça externa.
Considerando os avisos da Defesa Civil do Estado e a movimentação da FIESC para conscientizar CEOs de grandes empresas catarinenses, tratar tempestades apenas como fatalidades reflete baixa maturidade corporativa e indica uma lacuna na gestão de riscos.
Por isso, na coluna desta semana, compartilho um check-list básico para que você observe como seu negócio está preparado para enfrentar eventuais adversidades no clima. Afinal, lideranças maduras promovem a conscientização e adotam protocolos claros de contingência, que cobrem desde demandas da empresa até acolhimento e jornada flexível para colaboradores impactados. Assim, os riscos tendem a ser mais controlados e os impactos na operação podem ser mitigados.
Esse alinhamento se reflete no mercado. Empresas maduras acionam planos de contingência e mantêm a transparência com clientes, protegendo sua reputação.
Para avaliar a maturidade da sua empresa, indico estas perguntas iniciais. A partir delas, sugiro que você considere fornecedores, matérias-primas, cadeias de abastecimento, clientes, etc. e construa seu próprio questionário. Um agente de I.A. pode atuar como consultor e criar um check-list próprio para sua empresa identificar prioridades para criar um Plano de Contingência. Vamos às perguntas:
- A comunicação da empresa suporta a crise? Se um evento climático bloquear estradas e derrubar a energia local hoje, sua equipe sabe exatamente por quais canais alternativos se comunicar e quais são os primeiros passos a seguir?
- O mapa de riscos humano está claro? A sua instituição conhece a realidade logística dos colaboradores (quem mora em áreas de risco de alagamento ou deslizamento, por exemplo) e possui políticas de flexibilidade e acolhimento já aprovadas para esses casos?
- O “Plano B” é de domínio público? As transições para o trabalho remoto estão estruturadas e testadas, ou a cada imprevisto climático a organização gasta horas preciosas tentando descobrir como adaptar a produção e o calendário?
A preparação para emergências climáticas no Sul deixou de ser uma pauta secundária de responsabilidade social para se tornar um pilar central de governança, segurança e sobrevivência institucional. A resiliência não é ignorar o tempo lá fora, mas fortalecer a cultura interna para ter maturidade, segurança e alguma previsibilidade.







